Google+ Experimento: Setembro 2013

sábado, 21 de setembro de 2013

Praticando.

     Bem, como prometido, estou postando meus desenhos, minhas tentativas.
     No primeiro, não gostei muito do cabelo, mas ele representa bastante o sentimento de falta de liberdade que eu sinto às vezes, talvez dramático demais. Quando eu tiver mais habilidade com desenho pretendo refazê-lo com certeza, ou uma versão dele, porque gosto muito da ideia, acho muito bonito.


     Este segundo foi apenas uma tentativa de aprimorar alguma técnica mesmo, mas, como podem ver, eu resolvi tentar colorir e logo desisti de terminar, porque sou péssima colorindo e não quis estragar mais ainda o desenho. Esse apego aos desenhos é uma coisa que me atrapalha um pouco. rs


Espero que gostem. ;)

sábado, 14 de setembro de 2013

Pausa.

Este texto é uma justificativa para uma possível pausa dos meus textos.

   
     Tenho pensado em me dedicar mais aos meus desenhos e, por isso, posso vir a parar de escrever por um tempo indeterminado.
     Recebi a sugestão de explicar como uma arte (no caso, o desenho) pode substituir outra (escrever) como forma de expressão. Lembrei-me que um primo me perguntou há alguns anos se escrever poemas havia substituído minha necessidade de desenhar (na época eu comecei a escrever poemas góticos e parei de desenhar) e eu respondi que sim. Mas, pensando hoje, não acho que simplesmente uma coisa tenha substituído a outra. Naquele momento eu era só uma pré-adolescente e havia descoberto um novo jeito de expressar minha criatividade, aquilo tomou toda minha atenção, meu entusiasmo, mas era diferente de desenhar.
     Atualmente, minhas circunstâncias são outras. Eu simplesmente não tenho tempo suficiente para me dedicar a fazer tudo que eu gosto. Sou mãe (quem tem acompanhado o blog já sabe) de uma garotinha, que está completando 10 meses de vida hoje. Ela depende de mim para tudo, ela é minha prioridade. O tempo que me sobra para me dedicar a outras atividades é extremamente curto, o qual eu consigo com muito "malabarismo" na minha rotina. Então, eu preciso me dedicar a uma coisa de cada vez (além de escrever e desenhar eu gosto de tocar violão e cantar, mas esses últimos eu tenho menos tempo ainda para praticar).
     A escrita é algo que, na minha opinião, flui muito mais naturalmente. Para desenhar eu preciso de muito mais técnicas, de muito mais prática (até mesmo a criatividade é algo que atrofia se não é praticada). E se eu quiser um dia ser uma desenhista razoável, eu preciso me dedicar com mais frequência até atingir um nível em que eu me sinta mais satisfeita com os resultados, onde eu consiga transferir minha imaginação mais fielmente ao desenho.
     Resumindo, não é questão de substituição de uma arte por outra, mas sim por falta de tempo que eu preciso escolher uma arte por vez. Mas não pretendo deixar meus textos completamente de lado, pretendo ao menos ir anotando minhas ideias, para trabalhá-las mais tarde. Por isso, quero pedir que me deixem sugestões de temas sobre os quais vocês gostariam que eu escrevesse. Assim, pode ser que eu me inspire e acabe escrevendo sobre esses temas.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Você é introvertido?

     23 sinais que distinguem inconfundivelmente uma pessoa introvertida, ao menos segundo a consideração de Sophia Dembling e Laurie Helgoe, autora de vários livros sobre o assunto. Link original aqui, lá tem uma introdução maior, mas eu resolvi ir direto aos pontos e digo logo que me identifiquei com todos eles!



  • As conversas banais parecem incômodas.
    Introvertidos não gostam de conversa fiada por ser uma fonte de ansiedade e de aborrecimento. Isso, lógico, não se deve ao fato de que eles detestem as pessoas, senão porque odeiam as barreiras que este tipo de conversa cria entre pessoas.
  • Vão a festas, mas não para conhecer pessoas.
    Para os introvertidos, uma festa é mais uma ocasião de encontrar-se com os amigos, conhecidos e sentir-se a vontade com eles, do que uma oportunidade para conhecer novas pessoas.
  • Usualmente sentem-se sozinhos em uma multidão.
    Apesar do contraditório que possa parecer, é usual que uma pessoa introvertida se sinta sozinha no meio de muitas pessoas.
  • A autopromoção faz com que se sintam falsos.
    Essas conversas que têm por objetivo apenas se autopromover como pessoa ou profissional adoecem de autenticidade, pelo qual preferem não tê-las.
  • Intensos é um qualificativo usual.
    - "Os introvertidos gostam de saltar no profundo", diz Sophia Dembling em alusão às práticas sobre o sentido da vida, a natureza do amor, a pertinência do governo estabelecido ou qualquer outro assunto sobre o qual os introvertidos encontram especial interesse em falar, com paixão, a respeito.
  • Distraem-se facilmente (ou pelo menos parece).
    A distração dos introvertidos é consequência da capacidade para aborrecer se facilmente em ambientes onde há estímulos em excesso, como música barulhenta, muita gente falando ao mesmo tempo ou várias fontes de informação que não podem ser filtradas.
  • O lazer não é improdutivo.
    Uma tarde a sós, decorrida com nada mais que uma bebida e, digamos, uma série de televisão, não é considerada entre os introvertidos uma perda de tempo, pelo contrário, é vista como uma necessidade para juntar energia para voltar ao mundo.
  • Falar ante 500 pessoas é mais fácil do que fazer com uma só.
    Não é raro que pessoas públicas ou que detenham algum tipo de liderança sejam também introvertidas. Curiosamente, para elas é menos angustiante falar ante grandes audiências do que estabelecer uma conversa com apenas uma.
  • Quando usam o transporte público, usam os últimos assentos.
    Gostam de sentar nos lugares onde seja mais fácil descer quando chegar ao destino.
  • Começam a se fechar após ficar ativos por muito tempo.
    Para os introvertidos a energia vital é coisa séria e ao que parece incorrem em comportamentos que revelam um alto grau de preocupação para conservá-la. Assim, após passar um bom tempo ativos, se fecham e ativam uma dinâmica para reabastecer suas energias em um ambiente tranquilo.
  • Estabelecem relações amorosas com pessoas extrovertidas.
    O casal introvertido-extrovertido pode funcionar porque os extrovertidos obrigam os primeiros a divertir-se e não se levar tão a sério e isso acaba dando certo, um completa o outro em suas faltas e excessos.
  • Preferem ser especialistas em algo do que em muitas coisas ao mesmo tempo
    De acordo com uma pesquisa realizada recentemente, os padrões mentais preferidos pelos introvertidos faz com que se enfoquem em apenas uma coisa, à qual se dedicam, deixando voluntariamente outras nas quais também poderiam intervir.
  • Conscientemente evitam espetáculos que requeiram participação pública.
    Nada mais terrível.
  • Ignoram chamadas telefônicas, inclusive de amigos.
    O celular toca, olha para ver quem é e, ao final, escolhe ignorar a chamada, ao menos até que esteja verdadeiramente com vontade de falar.
  • Vê detalhes que outras pessoas não.
    Se os introvertidos sentem-se superados pelos muitos estímulos deve-se em parte porque têm especial habilidade para se deter nos detalhes e notar coisas que os outros não percebem.
  • O monólogo interior não cessa.
    Os introvertidos pensam mais do que falam, e talvez por isso precisam pensar bem antes de poder dizer algo.
  • Padecem de hipotensão.
    Uma pesquisa da Universidade Médica de Shiga, no Japão, encontrou uma relação entre a introversão e uma tendência a padecer de pressão sanguínea baixa.
  • Qualificados como velhos, ainda em sua juventude.
    A inclinação ao pensamento analítico e reflexivo pode criar certa impressão de sabedoria em torno de um introvertido, o que por sua vez pode fazer com que se pareça com mais idade da que em verdade tem.
  • O prazer da recompensa não está no entorno.
    Um experimento realizado por neurobiólogos da Universidade de Cornell descobriu que o centro de recompensa do cérebro responde de maneiras diferentes em pessoas introvertidas e extrovertidas, ao menos no caso do lugar onde esta possa estar. Para os extrovertidos a recompensa está sobretudo no exterior, no entorno, prazer não compartilhado pelos introvertidos.
  • Olham o quadro completo.
    O gosto pelo pensamento abstrato desenvolve certa facilidade entre os introvertidos para descobrir logo o "panorama completo" de uma situação.
  • Vivem pedindo para que saia da concha.
    A tendência ao silêncio e ao isolamento provoca petições frequentes para que os introvertidos saiam e participem mais do mundo em que vivem, inclusive gerando preocupações familiares.
  • Escrevem muito.
    Uns dos hábitos mais comuns entre introvertidos é a escrita, esse meio que permite se comunicar sem estabelecer um contato imediato e pessoal, além de que, por sua natureza, requer da solidão, o silêncio, a introspecção e outras condições afins.
  • Alternam temporadas de trabalho e solidão com outras de atividade social.
    A busca do balanço entre o exterior e o interior em ocasiões se expressa em alternar períodos de intenso trabalho solitário com outros de intensa vida social.

  • sábado, 7 de setembro de 2013

    Rompimentos.

         Engravidei aos 16 anos. Primeiro vieram os sintomas físicos:  fraqueza, vômitos repentinos, entre outras coisas. No primeiro momento pensei estar doente, mas logo senti que estava grávida. Em meio a um receio angustiante fiz testes rápidos comprados na farmácia para confirmar. Dois grandes "positivos". Meus pais já andavam preocupados com a possível gravidez e logo confessei, não conseguiria mentir.
         Eu sentia um pavor e um desespero imensuráveis, havia um ser estranho se formando dentro de mim, mesmo assim eu era obrigada a aceitá-lo enquanto até meus próprios pais consideravam minha gravidez uma desgraça. Estava tudo um caos dentro e fora de mim. Eu, que desde cedo pensava em nunca ter filhos, que aprendi a olhar torto para as garotas que engravidavam "cedo demais", agora me via na berlinda dos julgamentos.
         Só eu sabia agora que engravidar mais cedo ou mais tarde não tinha relação com meu caráter, que não me tornava alguém mais "moral" ou "imoral" que alguém. Mas não poderia dizer isso às outras pessoas que, assim como eu, foram ensinadas a repugnar as gestações "precoces".
         Meus pais se desesperavam e praguejavam contra o meu namorado, meus amigos lamentavam e alguns até choravam. Pela minha pequena cidade natal inteira a notícia da minha gravidez se espalhava, acompanhada de boatos absurdos, dos quais poucos chegaram aos meus ouvidos, mas eram o suficiente para me provocar mais perturbação (por exemplo, uma amiga me contou uma vez "uma pessoa que você conhece disse que você já esteve grávida antes e que já cometeu aborto"). Coisas do tipo, "no teu lugar eu me trancaria no quarto e choraria o dia inteiro" eu ouvia regularmente. As pessoas decretavam o fim da minha vida. Nos meus momentos sozinha, toda a dor e medo que eu sentia eu não sabia se eram causadas só pelas mudanças que minha vida estava sofrendo ou se eram criados pelo quadro de desgraça que a cidade pintava sobre minha gravidez.
         Fui criada para valorizar uma futuro de conforto financeiro, de status social. Eu deveria terminar os estudos e concluir um curso na universidade federal, ter uma carreira estável, ser mais uma boa engrenagem do atual sistema econômico e social. Engravidar antes de tudo isso fez de mim uma peça quebrada. E mais que isso, uma garota menos respeitável e menos responsável. Isso tudo me fez sofrer, tive que reconstruir a ideia de vida que eu aprendi a ter como objetivo desde sempre ao mesmo tempo que tinha que lidar com as mudanças físicas, hormonais, fisiológicas, emocionais...
         Não deixei de ir ao colégio. Já estava no último ano do ensino médio (cheguei mesmo a fazer as últimas provas de vestibular para estudar na UFPB e passei com boa colocação). No meu corpo magro, as mudanças ficaram aparentes e lembro de uma aula em que um professor me olhou e perguntou "Victória, teu rosto está meio inchado, você está bem? Está doente?" e eu respondi como se não me importasse com qualquer reação, "não, é que estou grávida". Não olhei os rostos dos colegas, mas o professor respondeu algo como "ah, parabéns, você vai ver a felicidade que é ter uma criança". Essa resposta foi um dos poucos exemplos de apoio externo que eu tive. Com exceção do meu namorado (que morava muito longe de mim), que era a única pessoa que conseguia me dar algum suporte psicológico e ajudar na "capa" e na nova visão de mundo que eu estava tentando construir pra mim. Meus pais cuidaram da minha saúde física, no mais, quase não havia diálogo.
         Eu me sentia sozinha e tomada por um estranho vazio. Por mais que eu tente descrever, aquele sofrimento não pode ser compreendido por meio de palavras.
         Na escola, o ano letivo estava acabando e com ele acabava também minha adolescência. Ao menos era o que parecia.