Google+ Experimento: Julho 2013

sábado, 20 de julho de 2013

Qual é o problema de ser introvertido?

     Tenho textos e desenhos guardados, mas me falta tempo para editá-los e colocá-los aqui, caro leitor.
     Hoje o texto não é meu. Li e me senti profundamente identificada. O texto que deixo aqui hoje é do blog AnsiaMente. Boa Leitura. ;)



Mais de uma vez, eu digitava quietamente no meu computador no trabalho (para os que não sabem, sou jornalista e trabalho em uma redação, em uma editora de revistas, e redações em geral mantêm um nível razoável de barulho e conversa) quando o diretor de redação comentou com o meu chefe, na minha frente:
“Mas ela não fala, não?” ou “Que silêncio nesse canto aqui, hein?”
Eu fico sem graça. Me sinto na obrigação de dar uma justificativa para o meu comportamento recluso, ainda que o comentário seja uma brincadeira. Eu poderia ser uma daquelas pessoas que contam as piadas que todos dão risada, que fazem um comentário sagaz sobre a conversa geral, mas não sou.  Mas não é culpa do diretor de redação. Ele é uma pessoa bacana que apenas chamou atenção para uma opinião geral da sociedade: a de que extrovertidos são mais bem vistos do que introvertidos. Afinal, todos parecem gostar daquelas pessoas carismáticas, que têm um magnetismo natural, que falam bem em público, parecem estar cercados de amigos, sabem contar uma boa história.
Eu, por outro lado, sempre fui levada a acreditar que tinha algum problema comigo. Na escola e na faculdade, fazer trabalho em grupo era um terror. Eu pedia para fazer a tarefa individual, mesmo que o professor avisasse que o trabalho era difícil de ser feito sozinho. Seminários, então, eram um pesadelo. Na aula de educação física, eu sempre tinha uma desculpa diferente para não participar dos jogos e, quando tinha que participar, era a última a ser escolhida. Não se trata de ser popular ou não: sempre tive meus poucos e bons amigos, fui atrás dos meus interesses, nunca sofri bullying ou nada do tipo.
Mas é um fato também que sempre fui do grupo dos introvertidos, e que isso parecia ser colocado, na balança social invisível, abaixo do mundo dos extrovertidos. Perdi a conta de quantas vezes ouvi alguém me descrever como “tímida”. E por algum tempo acreditei nisso. Mas não sou tímida! Sou introvertida. Já ouvi muito também os outros me dizerem que “achavam que eu era toda certinha” antes de me conhecer direito. Por quê? Por que eu não grito, não sou vulgar, não me exponho?
Não quero sair de balada todos os dias. Não quero conversar no ônibus ou na fila do banco com estranhos. Não quero amizades superficiais. Me irrito com papo-furado, conversinha fiada sem sentido. Sabe aquela conversa de elevador? Pois é, detesto. Não quero participar de um teatro interativo com a plateia. Prefiro ler um livro, cozinhar e navegar na internet a participar de atividades coletivas. Me expresso melhor escrevendo do que falando. Não gosto de falar no telefone. E por isso passo por chata, antissocial, arrogante, tímida e esquisita.
Ao mesmo tempo, invejo secretamente os palestrantes do TED, admito que queria saber como contar uma piada e que me sinto solitária às vezes, e que gostaria de ser uma pessoa um pouco mais desenvolta. Às vezes me sinto inadequada socialmente ou, como uma expressão em inglês define muito bem, unfit (fit é aquilo que cabe, que está na forma certa, e unfit seria algo que não encaixa).
Existe algo de errado com tudo isso? Eu padeço do mal de ser antissocial? Me fizeram acreditar que sim, mas começo a achar que não. Estou lendo o livro Quiet: the power of introverts in a world that can’t stop talking (no Brasil foi publicado como O Poder dos Quietos), que desde a primeira linha foi uma grande “Eureka” para mim.
A autora Susan Cain, ela mesmo uma introvertida, defende que se todos fôssemos extrovertidos ou todos introvertidos, o mundo não daria certo. Ou seja: sem a diversidade, não haveria sucesso.
Como exemplo disso, ela conta a história de Rosa Parks, considerada a mãe do movimento de direitos humanos nos Estados Unidos por ter se negado, em um belo dia, a se levantar do seu assento no ônibus para dar lugar a uma mulher branca. Ela levantava todos os dias, mas naquele decidiu não levantar. Por isso foi presa, julgada e condenada. Isso foi o estopim para o movimento que deu aos afroamericanos direitos iguais aos brancos do país, pois quem saiu na defesa de Parks foi ninguém menos que Martin Luther King Jr. A conclusão é: se um ativista extrovertido como ele tivesse se negado a ceder um assento no ônibus, o efeito teria sido menor. Quem precisava dizer basta era aquela senhora introvertida, quieta, mirrada. Mas quem precisava pegar o microfone e dizer “Eu tive um sonho” era o reverendo.
A questão é que vivemos sob o “ideal extrovertido”, conforme explica a autora. É uma mentalidade que coloca o comportamento “alfa”, que gosta dos holofotes, como ideal social. Prefere ação à contemplação, certeza à dúvida. Isso faz com que introvertimento, junto com seus primos sensibilidade, timidez e seriedade, estejam, segundo Susan, entre uma decepção e uma patologia. Quem já não ouviu, afinal, pais se desculpando pelo silêncio e timidez do filho para os amigos, ou até mesmo para estranhos? Por que crianças tagarelas são mais queridas e tidas como mais inteligentes? Afinal, Einstein só foi começar a falar aos 6 anos!  Na escola também somos  encorajados a “sair da toca” e nos abrir, como se a reclusão fosse uma atrofia social, uma deficiência.
Susan observa, ainda, que muito do que influencia no modo como pensamos e vivemos hoje partiu de pessoas introvertidas, como a teoria da evolução, os quadros de Van Gogh, a invenção do computador pessoal, as composições de Chopin, alguns dos clássicos da literatura, o Google. A lista é infindável.
O livro traz também um teste interessante (com nenhuma relevância acadêmica, mas interessante mesmo assim) para saber se você é extrovertido ou introvertido (responda “sim” ou “não”):

* Atenção: a tradução foi feita por mim e só tem como objetivo fazer referência ao livro!

“1. Eu prefiro conversas a dois do que atividades em grupo.
2. Frequentemente prefiro me expressar escrevendo.
3. Eu gosto de solidão.
4. Eu pareço me importar menos com riqueza, fama e status  que meus conhecidos.
5. Não gosto de conversa fiada, mas gosto de conversar com profundidade sobre tópicos que importam para mim.
6. As pessoas me falam que sou um bom ouvinte.
7. Não sou o tipo de pessoa que gosta de correr riscos.
8. Gosto do tipo de trabalho que permite que eu mergulhe nele com pouca interrupção.
9. Gosto de celebrar aniversários em pequena escala, com apenas um ou dois amigos próximos ou membros da família.
10. As pessoas me descrevem frequentemente como “de fala mansa” e “tranquila”.
11. Eu prefiro não mostrar ou discutir meu trabalho com outros até que esteja terminado.
12. Não gosto de conflito.
13. Eu faço o meu melhor  trabalho sozinho.
14. Eu tendo a pensar antes de falar.
15. Eu me sinto exaurido depois de sair de casa, mesmo que eu tenha me divertido.
16. Frequentemente eu deixo ligações irem para o correio de voz.
17. Se eu pudesse escolher, eu preferiria um fim de semana com absolutamente nada para fazer do que um com muitas coisas marcadas.
18. Não gosto de ser multitarefas (fazer várias coisas ao mesmo tempo).
19. Eu consigo me concentrar facilmente.
20. Em sala de aula, eu prefiro aulas expositivas a seminários.”

Se você marcou “sim” para a maioria das afirmações, você é um introvertido. Confesso que marquei apenas a 3, 11, 18 e 19 como “não”, e as outras 16 foram um grande sim. E me senti bem por isso. Por não me sentir tão deslocada.
Senti o mesmo quando me apaixonei pelo trabalho da Annie Leonard através do vídeo “A história das coisas”. Conforme a entrevistei e fui acompanhando seu trabalho, me senti frustrada por não ser mais como ela e de fato promover mudanças. Mas não tenho o perfil de ativista! Me senti hipócrita por escrever e pregar o que devemos fazer para mudar e não colocar a mão na massa, largar o emprego e me dedicar a uma causa, por exemplo. Mas a própria Annie, sem saber, me deu a resposta a este dilema quando criou um quiz chamado “Que tipo de agente de mudança é você?”. Com ele, entendi que existem diversas formas de promover a mudança de acordo com a sua personalidade: a de resister (aquele que resiste, que faz protestos), networker (quem faz contatos), nurturer (aquele que cuida, como os médicos e enfermeiros), investigator (investigador, que vai atrás e denuncia), communicator (quem divulga, comunica, espalha a notícia), builder (o que põe a mão na massa e constrói algo, como uma ONG).
Entendi então que sou uma comunicadora, e que o meu papel não é mais ou menos importante que os outros. É fundamental assim como os demais. E me senti um pouco melhor por ser como sou: introvertida, sim, sem precisar dar sorriso amarelo nem me justificar por isso.
Esse post acabou sendo menos “reclamão”, mas eu sou assim: só me incomodo com as coisas porque queria que elas fossem todas sensatas e inspiradoras como essa teoria da Susan Cain – e elas não são.
E você, já sofreu por ser introvertido? Conte sua experiência aqui.

Por Carmen Guerreiro

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Animais irracionais.

     A indignação pelas irracionalidades danosas cometidas pelo ser humano apesar de o mesmo ser dotado de razão é algo muito repetido em discussões e críticas sobre o bicho homem. A maiorias das pessoas não conseguem explicar tal absurdo. Mas é simples explicar: a humanidade é sobretudo irracional. A razão é um recurso secundário da espécie humana, antes de tudo somos simples animais.
     Principalmente, são as circunstâncias e/ou os instintos que limitam de opções de ação que alguém pode ter em cada situação da vida. Qualquer ser humano é capaz de cometer assassinato, por exemplo, basta que as circunstâncias pressionem certos instintos agressivos ou de sobrevivência (numa situação assim, o indivíduo poderia preferir morrer também, mas suas opções de ação foram limitadas pelas circunstâncias, de qualquer forma). Bem, todos os dias provavelmente você tem mais que duas opções de ação (morrer ou matar), ainda assim, sua razão é secundária na maioria das suas decisões: você não gasta horas formulando planos de como agir a cada movimento que dá durante o dia, a maior parte dos seus passos são automáticos.
     O ser humano apenas acha que é principalmente racional e por isso se acha superior à toda imensidão de formas de vida que existem. E isso é claramente uma ilusão egoísta e irracional, que só nós, ditos seres humanos, temos. E vivemos nos decepcionando por isso. Nossa capacidade de raciocinar não serve nem para percebermos que não somos tão racionais quanto acreditamos ser.
     Como eu disse antes, a razão é apenas um recurso; um recurso que precisa ser exercitado e que só é praticado com mais facilidade quando já temos nossas necessidades corporais básicas saciadas.
"Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos."   Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago.

domingo, 14 de julho de 2013

Simplesmente.

   
     Já faz um tempo que tenho tido dificuldades para "complicar" as coisas que faço. Antes costumava me empolgar e empenhar mais com discussões sobre crenças religiosas,por exemplo. Mas ultimamente me sinto saturada desse tipo de coisa. Sinto um cansaço mental só de pensar em ter que repetir e organizar argumentos para discussões que não levam a conclusão ou consenso algum.
     Quem me conhece sabe que gosto mesmo de tentar aconselhar meus amigos (qualquer pessoa, na verdade) e de discutir qualquer coisa. Mas isso só é bom quando a outra pessoa quer realmente te ouvir. Do contrário você se torna um idiota. Eu fui muito essa idiota e ainda sou às vezes.
     Por isso, já faz um tempo que ignoro principalmente discussões sobre assuntos que geram polêmica, porque nessas situações as pessoas querem mesmo é atirar pedras entre si. Prefiro não perder mais tanto tempo. Depois de certos acontecimentos, ganhei a vantagem de enxergar a vida de uma forma mais simples, como se isso fosse realmente óbvio.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Em terra firme.

     Por que achar que todas as coisas são belas quando a realidade está diante dos seus olhos? Nascer é difícil, sobreviver é difícil, morrer é talvez a parte mais fácil. Pessimismo? Longe de querer ser pessimista, digo tudo isso por solidariedade aos "cabeças de vento".
     Nós humanos inventamos toda a sorte de belezas e milagres e esperanças para enxergar na vida. No entanto, se a vida fosse fácil, não seria necessário inventarmos tudo isso para nos consolar, tentar amenizar nossas decepções e aflições a cada desventura ou obstáculo no caminho.
     "As pessoas são lindas, a natureza é linda". Depende do ângulo que se olha, ou que é necessário olhar.
     Compreendo a necessidade de se ver várias coisas por tal ângulo, visto que eu me utilizo dele muitas e muitas vezes também. Mas me deixar cair completamente nas águas púrpuras do modo "a vida é bela" de enxergar o mundo ao redor sem ter um ancoradouro na realidade seria uma "loucura prejudicial".

     PS: Me permitindo ser um pouco política, foi mergulhado nas águas púrpuras da "felicidade incondicional" que o povo brasileiro vem se deixando ser tão desdenhado e subjugado por tanto tempo.

     PPS: Esta postagem  é dedicada principalmente à Amanda Paiva, amorenada de sol que vive com os pés nas nuvens.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

A queda é mais segura.

   

É muito comum as pessoas sentirem medo das mudanças, de descobrirem que suas crenças (sejam religiosas ou não) não fazem sentido, estão erradas. Medo de ficar "sem chão". O que ninguém percebe é que ficar sem chão tem seu lado vantajoso, se você cair e não houver chão, não há como se machucar.
     E aí você vive sua vida defendendo com unhas e dentes tudo em que acredita, brigando com tudo que contraria suas convicções, sem perceber que há tantos outros modos de enxergar a vida, defendidos por tantas outras pessoas convictas, que você tem a mesma chance de estar certo quanto qualquer um por sobre o planeta Terra.
     Então, é impossível viver sem ter suas próprias crenças e posicionamentos sobre a vida? Sem dúvida é importante ter suas próprias certezas. Mas elas podem mudar. Você pode ter a capacidade de trocar suas lentes oculares por outras mais bem polidas. Se parecer que perdeu seu chão, não tenha tanto medo, agora é possível a você explorar profundidades maiores, sua liberdade de "se expandir" é sempre um ganho.
     Já "perdi o chão" mais de um vez, falta cair muitas vezes ainda e o medo natural sempre virá, mas a lembrança de tudo que posso alcançar em cada queda livre me mantém mais forte, curiosa , e, acredite, satisfeita.